12 de fevereiro de 2009

"TODOS SOMOS ESPIRITUALMENTE SEMITAS"


PAX CHRISTI, IN REGNO CHRISTI
Lema de Pio XI



Há 70 anos o mundo católico mergulhava num silêncio profundo.
O mergulho no abismo e nas trevas. A inversão moral de valores.
O principio da condescendência.

O fim da razão Católica de pensar, existir e de ser.

...............

A morte de Pio XI será devastadora para ordem mundial. Com ela o mundo entrará num grande colapso perdendo um moderador e um líder espiritual à altura. Postos os tempos de então, não voltarão mais a aparecer verdadeiros Príncipes de coragem e de espada em riste, como os antigos cavaleiros, fiéis guardiões da verdade.



Este homem Papa, um amortalhado em carne de Cristo, guardião da fé e da paz, seguia um pontificado apoiado na doutrina cheio de determinação e sem temor. Apostou na renovação e adaptação aos novos tempos num discurso e num gesto viril e directo pleno de certezas, discernimento e pragmatismo - sem beatice, teatralidade, dramatismos, jogos florais e arraiais (auspícios dos reinados dos tempos futuros).


Pio XI em Stª Maria Maior

Hábil diplomata, defrontou-se com tempos difíceis de conturbações ideológicas e politicas, e com o ressurgimento do paganismo. O mundo antigo deixara de existir. As monarquias, grande braço da Igreja de Roma, faliam. A Igreja Católica estava afastada definitivamente da ideologia primária de um estado, refazendo-se no mundo com novas concordatas.

Logo que foi coroado, reconciliou a Igreja com o Estado Italiano - desentendidos desde 1870 - ao abrir a varanda da Basílica de S. Pedro dando à população a bênção Urbi et Orbi. Este seu gesto, haveria de ser o seu maior triunfo - abrir destemidamente antigas portas e janelas, quer fossem materiais ou espirituais.


Pio XI em Stª Maria Maior

Em 1929, assinando com o governo de Mussolini o tratado de Latrão, no qual renuncia definitivamente de todos os antigos territórios constituintes dos estados pontifícios, usurpados pela unificação de Itália, aos quais se inclui também a cidade de Roma, Pio XI torna-se o primeiro chefe de estado do reconhecido estado soberano do Vaticano, desde 1870.


Pio XI e Benito Mussolini

Antevendo no Comunismo, no Fascismo e no Nazismo novos males ideológico-políticos que se alastravam no mundo, condenou-os sem pudor nas suas encíclicas. Opôs-se a Franco, Mussolini e Hitler. Sem temor e por vezes num estilo hostil e agressivo, falou e escreveu abertamente contra essas acções e práticas. Se no passado apoiou a ascensão de Mussolini, promovida nos púlpitos de Itália, estes agora são voz de oposição. Em 1931, escreve para Itália a encíclica: NON ABBIAMO BISOGNO. Posteriormente com as perseguições anti-semitas em prática em Itália, exclama:

"Mas porque razão a Itália se conduz
a imitar desgraçadamente a Alemanha?"


Publicamente Pio XI, afirma:



"O Anti-Semitismo é um movimento escandaloso
Todos somos espiritualmente Semitas"


Mussolini responde:

"Se o Papa continua a manifestar-se, perderei a paciência e serei obrigado a isola-lo"


Benito Mussolini

Porém dirá em privado:

"Espero mesmo que este Papa morra o mais rapidamente possível"

Em 1937, Pio XI envia secretamente à Alemanha a encíclica MIT BRENNENDER SORGE, exortando a comunidade católica alemã a resistir ao nazismo, numa acção de sucesso que viria a irritar Hitler.

A 12 de Fevereiro de 1931, inaugura as transmissões da Radio Vaticana. Nos últimos anos conhecerá a doença, que nunca será oposição à sua força e vontade, preparando e fortalecendo a Igreja para os difíceis tempos.


Marconi, Pio XI, Cardeal Pacelli

Envolto em mistérios estão o desaparecimento da sua ultima encíclica e um seu discurso incompleto. Ambos demolidores, a encíclica pretendia uma maior e mais clara condenação do nazismo e da sua religião neo-pagã. Preparada com o conhecimento do Cardeal Pacelli, o então Secretário de Estado do Vaticano, e futuro Pio XII, encontrava-se finalizada no final de 1938. A sua entrega foi conhecendo sucessivos atrasos evitando ser assim assinada. Por ordem do Papa, esta viria a aparecer por fim tarde demais. Pio XI morreria sem a ler, concordar, assinar e promulgar.



Sobre a sua morte, um ataque de cardíaco, levantaram-se infundadas questões. Pouco prováveis, dada a doença que já vinha padecendo, na realidade esta morte mostra-se realmente como uma morte conveniente, e mais conveniente ainda a próxima ascensão ao papado.



Convenientemente ainda foi o súbito arquivamento e desaparecimento da misteriosa encíclica pelo seu sucessor Pio XII - aquele que tinha sido preparado habilmente por Pio XI para ascender ao Papado, e que em sentida beatice, qual discípulo reconhecido pelo lugar que agora ocupará, se proclamará continuador da política do seu predecessor (Pacelli, é ainda formalmente feito responsável pelo isolamento que Pio XI foi conhecendo em vida, pelo ofuscamento da sua obra e a perca de esperança nas suas determinações, tomando posições e politicas em tudo contrárias a Pio XI). Sabemos pois que Pacelli, nunca esquecendo que foi ele o homem que anos antes tinha sido Núncio-Apostólico da Alemanha, temeroso com o nazismo, receoso de ver a sua bela basílica bombardeada, nunca arriscou afronta-lo. Surpreendendo com esta atitude o mundo, vê-se hoje envolto em causas pouco claras e esclarecedoras.



O ultimo Pedro que como Pedro
foi destemidamente um "mártir" pela fé e os propósitos em Cristo!



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