24 de novembro de 2008

A RAINHA DE PORTUGAL

Nossa Sr.ª da Conceição


Dentro de 2 semanas será dia de N. Sr.ª da Conceição, a Padroeira e actual Rainha de Portugal. Afinal, ainda temos uma monarca reinante! Uma Rainha, que se mostra de viva e de boa saúde, residindo em Vila Viçosa, apesar de ser uma imagem de pedra!

Facto deveras original este de ainda termos
Rainha e não o sabermos, ou disso andarmos esquecidos. Será justo? Será justo ignorar o que Dom João IV, em 1646, com aprovação das cortes de 1645-1646, primou com originalidade retirando literalmente de si, e, da cabeça de D. Luísa de Gusmão, a coroa real oferecendo-a a N. Sr.ª da Conceição, de Vila Viçosa? Será justo esquecer que, desta forma, consagrou Portugal a Maria reiterando antigos votos, de antigos monarcas, que erigiram gloriosos monumentos à Mãe do Senhor, nos tempos da nobre pátria lusa?

Mais que um nobre gesto fé, um duro golpe para aquela que jurou:
"Antes Rainha por um dia, do que Duquesa toda a vida". Pois sendo Rainha de Portugal por direito, só o foi gloriosamente por 6 anos em detrimento da já: "Rainha dos Céus", "Rainha dos Anjos", "Rainha dos Apóstolos", "Rainha das Missões", etc, etc, etc... quando afinal era ela mais descendente de D. Afonso Henriques, do que o seu próprio marido!

"Depois desse grande momento,
os Reis seus sucessores
nunca mais puseram sobre a cabeça
a coroa real
."


in Câmara Municipal de Vila Viçosa

Façamos só a ideia do burburinho que deve ter sido na corte, e, de tudo o que de boca-a-boca e de orelha-a-orelha se disse e se ouviu, pela galopante ideia de El-Rei - para não chamar loucura, na sua desmedida e conventual fé - de trocar a sua
Rainha de carne e osso, vinda da Andaluzia, por uma Rainha de pedra de ançã, vinda de Inglaterra, por quem era devoto antes e acima de qualquer coisa - tal como o seu antepassado Beato Nuno de Santa Maria, vulgo Alvares Pereira, que muito em breve ascenderá à santidade!

Da sua beata imortalidade achamos: Uma elegância natural; um rosto sereno; um sorriso discreto; um olhar meigo e profundo. Dela, a quem a seus pés o Papa Wojtyla se ajoelhou e rezou, poderemos sempre esperar: Conforto e protecção espiritual e graças e milagres. Qualidades para já superiores a qualquer Rainha estrangeira de carne e osso, que passam a vida em revistas da socialight, e em obras humanitárias... quase nada! Estas, as
estrangeiras, comparadas à nossa boa Rainha, têm de nascer e morrer mil vezes, para alcançarem semelhantes virtudes, mesmo que para isso venha a surgir uma estrela no céu!


Quem não recorda as cautelas de lotaria que lembravam esta história, que se assemelhou nos pequenos grandes olhos, cheios de fé, do pequeno rapaz, como encantadora! Na televisão, anunciando essa lotaria, representava-se essa história, que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa sempre quis homenagear avivando a memória dos portugueses: El-Rei, Senhor de Portugal, prostrando-se diante do altar, oferecendo a sua coroa a N. Sr.ª.

Que bem aventurados somos em ter esta
Rainha! Rainha que no nosso pensamento pode viver, sem defraudar as nossas mais naturais convicções, e por nós velar noite e dia. Que descanso é saber que alguém no céu intercede por nós, ainda que pouco lembrados da sua vivência espiritual e da sua infinita bondade.

Assim, é sempre bom lembrar a exemplaridade do Senhor D. João IV de Portugal que soube com humildade despojar-se do seu maior triunfo, oferecendo-o como sacrifício de si mesmo, à sua protectora divina.




Sem comentários:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails